Mortalidade por câncer de pulmão é quase o dobro entre homens em SC

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Das 1.249 mortes pela doença registradas no Estado em 2023, 61,7% foram de pessoas do sexo masculino

Dados preliminares do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) mostram que as mortes por câncer de pulmão entre homens é quase duas vezes maior do que entre mulheres, em Santa Catarina. Das 1.249 mortes pela doença registradas no Estado em 2023, 771 foram de pessoas do sexo masculino (61,7%).

Essa alta na mortalidade masculina por câncer de pulmão não é exclusiva de Santa Catarina. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), esse é o tipo de câncer com maior incidência e mortalidade em homens no mundo todo. No Brasil, segundo as estimativas para 2023, é o quarto mais comum em homens (18.020 casos novos neste ano), atrás do câncer de pele não melanoma, do de próstata e dos tumores malignos de cólon e reto ou de estômago (a depender do IDH da região).

A médica oncologista Yeni Verônica Nerón, que atua no Centro de Pesquisas Oncológicas Dr. Alfredo Daura Jorge (Cepon) explica que essa maior incidência do câncer de pulmão em homens está relacionada, dentre outras causas, a fatores culturais de gênero.

— Normalmente, os homens costumam chegar ao hospital quando a doença já está em estágio mais avançado. Por outro lado, as mulheres buscam atendimento mais cedo, o que possibilita um diagnóstico precoce e, consequentemente, facilita tratamentos com potencial curativo.

Outro fator cultural de gênero citado pela médica e que também influencia nos índices de câncer de pulmão é a prevalência do tabagismo entre os homens. Um artigo publicado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares mostrou que os homens fumam quatro vezes mais do que as mulheres.

— Os homens fumam bem mais que as mulheres, e hoje estamos diagnosticando um maior número de casos de câncer pulmonar entre eles — diz a especialista.

Além dos fatores culturais, a especialista destaca que a diferença da taxa de mortalidade também está associada a um gene mais comumente encontrado nas mulheres, que pode ser um fator que auxilia no tratamento:

— Nas mulheres se vê com maior frequência um tipo de câncer EGFR mutado. Esse EGFR é um gene que, quando sofre mutação, torna-se alvo molecular e serve como guia para um tipo específico de tratamento para a paciente, o que prolonga em anos a sobrevida delas — explica a médica.

Esses tratamentos específicos são projetados para bloquear a ação da proteína EGFR mutada, visando atingir especificamente as células cancerígenas e minimizando os efeitos colaterais em células normais.

Diminuição do câncer de pulmão em SC

O câncer de pulmão é causado principalmente pelo tabagismo, mas também pode ocorrer devido à exposição à poluição do ar, infecções e doenças pulmonares crônicas além de fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão, que favorecem o desenvolvimento dessa doença.

Apesar dos dados indicarem 1.249 mortes por câncer de pulmão em 2023 em Santa Catarina, a taxa de mortalidade pela doença vem apresentando uma redução no Estado ao longo dos anos. Segundo os dados do SIM, em 2022 a taxa de mortalidade era de 21%; já em 2023, essa taxa foi de 18,9% representando uma redução de 2,1%.

A oncologista explica que essa redução é resultado dos avanços no diagnóstico e tratamento da doença:

— O tratamento do câncer pulmonar está se desenvolvendo muito através da medicina de precisão. Temos vários marcadores biomoleculares que direcionam o tratamento conforme o tipo de câncer pulmonar que o paciente desenvolve.

Tratamento do câncer de pulmão

Segundo a médica, os tratamentos são realizados conforme o estágio do câncer:

Estágios Precoces (I e II):

  • Pode-se realizar cirurgia seguida de quimioterapia complementar. A cirurgia é uma opção viável quando o câncer está localizado e ainda não se espalhou para áreas distantes.

Estágio Clínico III (não operável):

  • O tratamento geralmente envolve radioterapia e quimioterapia concomitante. Nesses estágios, a cirurgia pode não ser uma opção viável devido à extensão do câncer.

Estágios Avançados (Tipo IV):

  • Para estágios mais avançados, como o Tipo IV, onde o câncer pode ter se espalhado para outras partes do corpo, o tratamento geralmente envolve quimioterapia. Além disso, o tratamento alvo molecular pode ser considerado se disponível. Ele é direcionado a características específicas das células cancerosas.

Imunoterapia:

  • A imunoterapia é indicada nos estágios III e IV. A imunoterapia funciona estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerosas. No entanto, diferente dos demais tratamentos acima, ela tem limitações para o acesso através da rede pública de saúde.

O estágio no qual o câncer é diagnosticado desempenha um papel crucial no sucesso do tratamento e na previsão da sobrevida. Yeni afirma que em estágios iniciais, a perspectiva de sobrevida pode ser quase 10 vezes maior em comparação com estágios mais avançados.

Alimentação saudável influencia na sobrevida de pacientes

Um estudo recente realizado em Santa Catarina mostra que há uma relação direta entre o consumo de determinados alimentos e a sobrevida do paciente de câncer de pulmão.

A pesquisa realizada pela Oncoclínicas&Co analisou 50 pacientes com câncer de pulmão, com idade média de 71 anos, e constatou que os que consumiram 1 grama de proteína – proveniente de carne vermelha, peixes, aves, ovos ou fontes vegetais, feijões, castanhas e aveia – por quilo corporal tiveram uma sobrevida de 35 meses. Já os que consumiram uma quantidade inferior tiveram uma sobrevida menor, de 21 meses.

5 dicas simples para ter uma alimentação saudável

A oncologista catarinense Ana Cláudia Galdino Franzoni explica que essa relação entre o consumo de proteínas e o câncer de pulmão ocorre porque durante o tratamento dessa doença, a dieta proteica minimiza o impacto da sarcopenia, ou seja, a perda de massa muscular do organismo.

— Essa doença, independente do seu estágio clínico, consome muita energia do corpo humano e, com isso, rapidamente entra em estado catabólico, evoluindo para rápida sarcopenia. Por isso, dietas com maior componente proteico contribuem para melhora e recuperação da massa muscular — detalha.

Além do consumo de proteínas, Ana Cláudia indica o consumo de alimentos ricos em fibras, como frutas e verduras para pacientes que estão recebendo tratamento com imunoterapia (estímulo do sistema imunológico para combater o câncer).

4 receitas nutritivas para uma alimentação diária saudável

— Naqueles pacientes em uso de imunoterapia, os estudos sugerem que alimentos ricos em fibras contribuem para uma maior diversidade da flora intestinal e, consequentemente, melhor ação do sistema imunológico, potencializando os efeitos do tratamento.

A médica finaliza dizendo que é aconselhável evitar dietas muito restritivas, especialmente durante a fase intensa da terapia contra o câncer. Isso porque uma alimentação adequada ajuda a preservar a saúde e a força do corpo, contribuindo para enfrentar os desafios físicos associados ao tratamento oncológico.

Fonte:

NSCTotal

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