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Júri da Kiss: 3º dia ouvirá novas testemunhas de acusação

Publicado em 3 de dezembro de 2021

O julgamento do incêndio da boate Kiss deve ouvir mais três testemunhas nesta sexta-feira (3), no Foro Central de Porto Alegre. Depois do engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso, que falou na quinta que teria desaconselhado o uso da espuma isolante na casa noturna, serão ouvidos Daniel Rodrigues da Silva (gerente da loja onde foram comprados os artefatos pirotécnicos) e Gianderson Machado da Silva (funcionário de uma empresa de extintores), a pedido do Ministério Público, e Pedrinho Antônio Bortoluzzi, solicitado pela advogada de Marcelo de Jesus, Tatiana Borsa. Marcelo trabalha, atualmente, para Bortoluzzi.

As testemunhas de acusação pediram preferência e devem ser inquiridas pela manhã. Depois, à tarde, a testemunha de defesa deve ser questionada. Por fim, ainda participará o sobrevivente Érico Paulus Garcia, que deve ser entrevistado no período da noite, era barman na boate.

Reveja os depoimentos dos sobreviventes:

Jéssica Montardo Rosado, de 33 anos, sobrevivente do incêndio na boate Kiss — Foto: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul/Divulgação

Jéssica Montardo Rosado, de 33 anos, sobrevivente do incêndio na boate Kiss — Foto: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul/Divulgação

Os sobreviventes Emanuel Pastl e Jéssica Montardo Rosado depuseram pela manhã na quinta-feira.

Emanuel, que é filho de bombeiro e especialista em prevenção de incêndios, citou elementos técnicos que, segundo ele, falharam na noite da tragédia.

Já Jéssica contou sobre a perda do irmão, que, conforme testemunhas, teria morrido após inalar fumaça tóxica ao tentar salvar outras pessoas.

O DJ Lucas Cauduro Peranzoni chorou muito ao ver vídeo do incêndio na Kiss. O sobrevivente ainda relatou que que boate usava baldes de espumante com artefatos piroténicos em apresentações.

Engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso depõe como testemunha — Foto: Gabriela Clemente/g1

Engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso depõe como testemunha — Foto: Gabriela Clemente/g1

Sugestão para instalar espuma acústica era ‘leiga e ignorante’

 

Depois deles, o engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso foi a primeira testemunha a depor no tribunal. Ele foi contratado para um projeto na casa noturna e afirmou que teria desaconselhado o uso da espuma isolante.

O engenheiro contou que um dos sócios da Kiss, Elissandro Spohr, fez o pedido. “Só um leigo e ignorante na área poderia achar que espuma fosse conveniente dentro de uma boate”, disse Pedroso.

Nesta etapa do julgamento, 14 sobreviventes são questionados pelo juiz, pelo Ministério Público, pelo assistente de acusação e pelos defensores dos réus, nessa ordem. Os outros sete devem ser ouvidos nos dias seguintes.

Quem são os réus?

 

  • Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate
  • Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss
  • Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, músico da banda Gurizada Fandangueira
  • Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, era produtor musical e auxiliar de palco da banda

 

Entenda o caso

 

Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.

Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado “em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate”.

Já Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque “adquiriram e acionaram fogos de artifício (…), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate”.

FONTE G1 


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