Primavera 2023 terá forte ação do El Niño

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Estado terá chuvas e temperaturas acima da média climatológica e alertas para possibilidade de eventos extremos

A Primavera começou oficialmente neste sábado, às 3h50, e o fim de semana promete ser uma amostra de como será a estação no Oeste Catarinense, com dias consecutivos de calor e temperaturas acima dos 30ºC. As chuvas também devem ficar acima da média nos próximos três meses, com a possibilidade de eventos naturais extremos no Sul do Brasil devido a atuação do fenômeno El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento das águas do pacífico. Aumentam os riscos de chuva forte e totais elevados em curto intervalo de tempo, temporais com forte atividade elétrica (raios), granizo e ventania.

Temperatura

No trimestre a previsão é de temperatura acima da média climatológica, em SC. Ainda pode ocorrer um ou outro episódio de frio no início da Primavera, com temperatura próxima ou abaixo de 0°C e formação de geada principalmente nas áreas altas do Planalto Sul. A previsão é de elevação da temperatura nos próximos meses e são esperados dias consecutivos de temperatura acima de 30ºC.

Precipitações

Setembro e outubro marcam a transição do Inverno para a Primavera, com totais mensais elevados especialmente em outubro e no Oeste de SC. A chuva ocorre associada à passagem de frentes frias, sistemas de baixa pressão e a Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM), mais comuns na Primavera e com maior influência no Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste de SC. Na segunda quinzena de novembro as pancadas de chuva de Verão, associadas à convecção da tarde, passam a ocorrer com mais frequência em todo o Estado.

Em setembro os totais de chuva variam de 150 a 210 mm no Extremo Oeste, Oeste e Meio Oeste. Em outubro os volumes de chuva são os mais elevados do trimestre e variam de 210 a 280 mm no Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste. Em novembro a chuva ocorre em SC com totais de 130 a 180 mm em média.

Super El Niño

Ao longo da Primavera, conforme a estação evolui, o El Niño tende a se intensificar e pode atingir forte a muito forte intensidade até seu pico no fim do ano. O último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,6ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central. O valor está na faixa de El Niño forte (+1,5ºC a +1,9ºC). A última vez que esta área do Pacífico esteve tão quente foi em março de 2016, no episódio do Super El Niño de 2015-2016.

Os eventos de 1982-1983 e de 1997-1998 foram os mais intensos do século passado, resultando em perdas humanas e materiais e desastres naturais nos Estados do Sul do Brasil (PR, SC e RS). Inclusive o Alto Uruguai Catarinense sofreu com uma enchente de grandes proporções que marcou a história da região. Em SC, o forte evento El Niño de 1997-1998 teve impactos menores em relação ao de 1982-1983.

 

Águas febris

Um artigo publicado pela Nasa no início deste mês, intitulado “O oceano está com febre”, informa que além do El Niño outro fenômeno de aquecimento das águas também está ocorrendo no oceano Atlântico e outros mares do planeta, onde foram encontradas anomalias na temperatura da superfície da água, em algumas áreas a variação ficou acima de 3ºC. O impacto deste aquecimento nas águas oceânicas tende a causar efeitos catastróficos na vida marinha e consequentemente, na vida terrestre.

No Brasil a preocupação é com os impactos na Amazônia. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que monitora os rios da bacia Amazônica, e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam para a simultaneidade dos fenômenos e preveem a redução de chuvas para a região Norte do país. Com a água do oceano mais quente, as correntes ascendentes carregam ar aquecido para a atmosfera. Esse ar segue até a Amazônia por meio de duas correntes descendentes. No caso do El Niño, o processo ocorre de Leste para Oeste – a partir do Pacífico. No caso do Atlântico, do Norte para o Sul. Esse ar mais quente atua inibindo a formação de nuvens e, por consequência, das chuvas.

A especialista do Cemaden em secas na Amazônia, Liana Anderson, destaca que a atuação dos fenômenos simultâneos sobre a região também é motivo de preocupação com relação às queimadas. “Há uma extensão grande com risco de fogo pelas chuvas abaixo da média, aumento da temperatura, e agora temos um alerta de onda de calor. Tudo isso vai deixando toda a paisagem muito mais flamável”, analisa a especialista. “As áreas que foram desmatadas no ano passado, em algum momento podem queimar”, complementa.

A médio/longo prazo, os possíveis danos causados pela falta de chuva na Amazônia influenciarão diretamente o regime de chuvas no Sul do Brasil, podendo causar longos períodos de estiagem quando o El Niño perder força.

 

Fonte:
O Jornal

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